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	<title>Minas de História &#187; ensino superior</title>
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	<description>Minas de História é uma janela para o passado mineiro; é o weblog de Marcos Lobato Martins, professor, doutor em História Econômica pela USP, autor de livros como História e Meio Ambiente (2007) e Breve História de Diamantina (1996). Pretende abrigar leituras de historiografia sobre Minas Gerais e apresentar pequisas sobre a trajetória regional.</description>
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		<title>I Jornada de História Regional José Pedro Xavier da Veiga</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Feb 2011 19:07:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[ensino superior]]></category>
		<category><![CDATA[eventos e seminários]]></category>
		<category><![CDATA[História regional]]></category>
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		<category><![CDATA[José Pedro Xavier da Veiga]]></category>
		<category><![CDATA[memória e política]]></category>
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		<description><![CDATA[Retrato do jovem José Pedro Xavier da Veiga No próximo mês de maio, entre os dias 24 e 27, será realizada a primeira edição da Jornada de História Regional José Pedro Xavier da Veiga, promoção do curso de História da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), que pretende ser bienal. O objetivo é reunir estudiosos da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><div class="img aligncenter size-full wp-image-888" style="width:183px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/02/José-Pedro-Xavier-da-Veiga.jpg" rel="lightbox[887]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/02/José-Pedro-Xavier-da-Veiga.jpg" alt="" width="183" height="275" /></a>
	<div>Retrato do jovem José Pedro Xavier da Veiga</div>
</div>No próximo mês de maio, entre os dias 24 e 27, será realizada a primeira edição da Jornada de História Regional José Pedro Xavier da Veiga, promoção do curso de História da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), que pretende ser bienal. O objetivo é reunir estudiosos da história regional e local, especialmente do espaço sul-mineiro, para debater questões historiográficas relevantes e apresentar pesquisas em andamento. Além de palestras e mesas redondas, a cargo de professores convidados de diversas universidades, a Jornada compreenderá sessões de comunicações coordenadas, nas quais serão debatidos os trabalhos inscritos por estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores voltadas para a investigação de aspectos da trajetória histórica sul-mineira.</p>
<p style="text-align: left;">A programação da I Jornada José Pedro Xavier da Veiga é a seguinte:<br />
<strong>Dia 24 de maio</strong><br />
Tarde Credenciamento<br />
Noite Palestra de abertura: Elites sul-mineiras no Oitocentos: negócios, fortunas e política<br />
Prof. Dr. Marcos Ferreira de Andrade (UFSJ)<br />
<strong>Dia 25 de maio</strong><br />
Tarde Sessão de comunicações 1: Relações sociais e políticas no Sul de Minas<br />
Noite Mesa redonda: Poder e cultura política no Sul de Minas oligárquico (1830-1930)<br />
Profa. Dra. Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (UFJF)<br />
Prof. Dr. Isaías Pascoal (IFSULDEMINAS)<br />
<strong>Dia 26 de maio</strong><br />
Tarde Sessão de comunicações 2: História econômica e demográfica do Sul de Minas<br />
Noite Mesa redonda: Sul de Minas em transição: economia regional na virada para o século XX<br />
Prof. Dr. Alexandre Macchione Saes (USP)<br />
Prof. Dr. Marcos Lobato Martins (UNIFAL-MG)<br />
<strong>Dia 27 de maio</strong><br />
Tarde Sessão de comunicações 3: Cultura, memória e patrimônio no Sul de Minas<br />
Noite Palestra de encerramento: Escravidão e mestiçagem: Minas Gerais e o mundo atlântico<br />
Prof. Dr. Eduardo França Paiva (UFMG)</p>
<p>Os interessados em apresentar comunicações deverão ficar de olho no site da UNIFAL-MG, pois logo estará no ar a chamada de trabalhos para o evento.</p>
<p>O nome da Jornada é homenagem a importante personagem do Sul de Minas oitocentista, filho da vizinha cidade de Campanha. Jornalista, político e historiador, José Pedro Xavier da Veiga é nome fundamental no que se refere ao processo de institucionalização da memória no século XIX, por meio da criação de lugares de memória. Em 1895, ele fundou o Arquivo Público Mineiro (APM), baseado no modelo do IHGB (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro), com o objetivo de reunir fontes primárias para a história e geografia das Minas Gerais. No ano seguinte, ele criou a “Revista do Arquivo Público Mineiro”, respondendo pelos cinco primeiros números do periódico. Em 1897, José Pedro Xavier da Veiga publicou, pela Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, em 4 volumes, a obra “Efemérides mineiras”, que consumiu quase dezoito anos de árduo trabalho. Trata-se de uma enorme e detalhada cronologia da história mineira, muitas vezes confusa, vazada em molde linear e factualista, enfim, presidida por concepção de história que é, no plano metodológico, positivista à la Langlois e Seignobos, e, no plano da filosofia, hegeliana. História política, referida à formação e consolidação do Estado, cuja finalidade é a realização da liberdade e da razão, expressão da marcha do pensamento civilizador. Para José Pedro Xavier da Veiga, a pesquisa histórica, a guarda e a publicação de documentos relativos às Minas Gerais teriam o papel de glorificar as lutas em prol da liberdade e do espírito.</p>
<p>No interior dessa moldura intelectual, situa-se o maior esforço de José Pedro Xavier da Veiga: recuperar os documentos públicos que estavam em posse de políticos, uma vez que a tradição era a de, uma vez cumprido seu mandato, o político levar consigo os documentos referentes ao seu período administrativo para constituir acervo familiar privado. Na verdade, como bem salientou Marisa Ribeiro Silva, “Xavier da Veiga foi o responsável pela seleção de grande parte dos documentos que se encontram no Arquivo, influenciando até hoje a escrita de nossa história. É um exercício de poder que não está datado, mas que se estende e influencia os estudos atuais” (SILVA, Marisa Ribeiro. História, memória e poder: Xavier da Veiga, o Arconte do Arquivo Público Mineiro. Belo Horizonte: FAFICH/UFMG, 2006. p. 96. Dissertação de mestrado).</p>
<p>O decisivo é não perder de vista que o homenageado, José Pedro Xavier da Veiga, como historiador era consciente de que a memória constitui instrumento de poder, servindo a estratégias de legitimação de regimes políticos e à criação artificial de sentimentos de pertencimento e de imaginários sócio-políticos. A propósito, no campo político, José Pedro Xavier da Veiga era conservador, elitista, paternalista, cuja intervenção nos debates nacionais foi pautada pelos valores da “ordem”, da “conciliação” e do “gradualismo” (o Brasil não comportaria mudanças bruscas). Daí sua capacidade de, sendo monarquista apaixonado, aderir ao regime republicano e manter-se vivo na política mineira.</p>
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		<title>Jovens do Mucuri: quem espera alcança?</title>
		<link>http://www.minasdehistoria.blog.br/2008/11/jovens-do-mucuri-quem-espera-alcanca/</link>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 16:53:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[crítica social]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[ensino superior]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento regional]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[problemas sociais]]></category>

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		<description><![CDATA[Há uma fórmula gasta, comportando numerosas variações, que diz: “os jovens são a esperança do Brasil”. O dito retórico tem o efeito de lançar carga desproporcional sobre os ombros das crianças, rapazes e moças que habitam o território nacional, na medida em que atribui a eles, e tão somente a eles, a responsabilidade pela realização [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma fórmula gasta, comportando numerosas variações, que diz: “os jovens são a esperança do Brasil”. O dito retórico tem o efeito de lançar carga desproporcional sobre os ombros das crianças, rapazes e moças que habitam o território nacional, na medida em que atribui a eles, e tão somente a eles, a responsabilidade pela realização das mudanças profundas que a Nação exige, visando alcançar o desenvolvimento sócio-espacial. Os adultos, por essa fórmula, se eximem e empurram para o futuro as tarefas de promover maior eqüidade social, fortalecer as economias regionais e construir ambiente sustentável para que o povo brasileiro viva em paz e prosperidade.</p>
<p style="text-align: center;"><div class="img size-medium wp-image-277 aligncenter" style="width:512px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2008/11/mucuri-1.jpg" rel="lightbox[276]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2008/11/mucuri-1-512x350.jpg" alt="Da esq. para a dir., Jeisiane, Aline e Ludmila, estudantes de Crisólita." width="512" height="350" /></a>
	<div>Da esq. para a dir., Jeisiane, Aline e Ludmila, estudantes de Crisólita.</div>
</div>
<p><span id="more-276"></span></p>
<p>O problema é que não são oferecidas aos jovens, especialmente aqueles que habitam as pequenas cidades interioranas, condições mínimas para suportar a carga que se transfere para eles. Na situação atual da maioria de nossas cidades, é pouco provável que estejamos formando capital humano e capital social que impulsionem o desenvolvimento do país. Ao contrário, os obstáculos que nossa juventude enfrenta para se formar profissionalmente e alcançar a cidadania são enormes. Quem viaja pelo interior, ou percorre as periferias das grandes cidades brasileiras, observa as adversidades colocadas diante da juventude. Mas as moças e os rapazes têm sido fortes, lutando para transformar a si mesmos e a suas cidades. Uma luta extenuante, até mesmo inglória, mas que eles têm levado adiante com coragem e esperança.</p>
<p>Eu vi com meus olhos esses lutadores na viagem de pesquisa que realizei ao Vale do Mucuri. Destemidos, esperançosos, esforçados. Crentes de que tomaram o rumo certo, que é o de buscar a formação superior. Investir na educação para melhorar de vida e ajudar suas comunidades a avançar. Assim esses jovens pretendem contribuir para o desenvolvimento regional, porque há neles marcado amor por sua terra natal.</p>
<p>Na cidade de Crisólita, três garotas aproximaram-se de mim para saber que tipo de pesquisa eu fazia sobre a região. Então disseram que integravam o Projeto “Caminhada Digital”, do Ministério da Cultura, e que, naquele momento, procuravam informações sobre lendas e antigas histórias da cidade. Era tarefa do Projeto: elas teriam que lançar na internet o material que recolhessem sobre Crisólita. Ofereci algumas dicas sobre procedimentos de pesquisa e um exemplar da revista “Leituras da História” que contém pequeno artigo que escrevi sobre assombrações em Diamantina. Conversa vai, conversa vem, fiquei sabendo que, no telecentro da cidade, cerca de 90 usuários/mês empregam os computadores instalados, a maioria jovens.</p>
<p>Gente como elas. Jeisiane, estudante do 3o ano do Ensino Médio, que pretende fazer faculdade. Ainda não sabe o curso, pois está em dúvida entre Enfermagem e História. Falei para a Jeisiane que História é o melhor curso do mundo, mas ela ficou ressabiada. A outra garota se chama Aline, e já se formou no Ensino Médio. Tinha acabado de ser aprovada no vestibular da Unipac-Teófilo Otoni, sem, contudo, definir o curso no qual se matriculará. Estava entre Enfermagem e Serviço Social. A terceira moça é Ludmila, estudante do 3o ano do Ensino Médio, que pretende cursar Fisioterapia. Todas elas esperam dispor de transporte da Prefeitura para levá-las à faculdade, conforme os candidatos prometeram na campanha eleitoral. No rosto delas há energia e determinação. O melhor que podemos fazer é torcer para que alcancem o que projetam para o futuro próximo.</p>
<p style="text-align: center;"><div class="img size-medium wp-image-278 aligncenter" style="width:512px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2008/11/mucuri-2.jpg" rel="lightbox[276]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2008/11/mucuri-2-512x335.jpg" alt="" width="512" height="335" /></a>
	<div>Ana Paula Almeida, estudante de Pavão.</div>
</div>
<p>Em Pavão, pequena cidade situada poucos quilômetros ao sul de Crisólita, encontrei na praça principal mais uma jovem determinada e esperançosa com o futuro. Onde não parece haver perspectivas, lá está a moça tentando tomar nas mãos seu futuro e livrar-se dos grilhões do atraso que acorrentam a maioria de seus conterrâneos. O nome da garota é Ana Paula Almeida. Com 22 anos, ela trabalha o dia todo no quiosque de sorvete da praça para pagar o curso de Serviço Social em Teófilo Otoni. Curso realizado na unidade de ensino a distância da Uniube (Universidade de Uberaba), que tem aulas presenciais uma vez por mês, no final de semana. Junto com Ana Paula, há outros 40 estudantes de Pavão cursando ensino a distância. Para deslocar-se até Teófilo Otoni, Ana Paula e os colegas dispõem de microônibus cedido pela Prefeitura.</p>
<p>Fora o trabalho e o estudo, Ana Paula possui vida pacata, ponteada por uma ou outra festa. O lazer dos jovens de sua idade na cidade de Pavão é assim: festas juninas, réveillon e o aniversário da cidade, em março. Além, é claro, das esticadas até Águas Formosas e Novo Oriente para participar das festas locais.</p>
<p>Isso tudo me lembra minha própria cidade, até os anos 1970. Depois, Pedro Leopoldo integrou-se, de fato, à Região Metropolitana de Belo Horizonte, o que modificou bastante o modo de vida interiorano, caipira mesmo, que marcou minha infância.</p>
<p>Essas moças de Crisólita e Pavão nos desafiam abertamente, em pelo menos dois campos importantes. Um deles é o das políticas públicas para a juventude. Está tudo por fazer, infelizmente. O outro é o do ensino técnico e superior, especialmente no que se refere à modalidade EAD (ensino a distância). As estratégias para a interiorização do ensino técnico e superior, que tem recebido atenção especial do Governo Lula, são controversas. É preciso discutir mais profundamente esses assuntos.</p>
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		<title>Agilidade intelectual do professor nas pequenas IES interioranas</title>
		<link>http://www.minasdehistoria.blog.br/2008/07/agilidade-intelectual-do-professor-nas-pequenas-ies-interioranas/</link>
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		<pubDate>Sun, 27 Jul 2008 13:03:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[ensino superior]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<description><![CDATA[A rápida expansão do Ensino Superior a partir do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso provoca uma enxurrada de críticas. Há realmente muitas distorções, destacando-se a desenvoltura com que grupos mercantis poderosos avançaram sobre o setor, espalhando pelo país “faculdades” que oferecem péssimas condições aos estudantes e aos docentes. De roldão, as críticas atingiram instituições [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A rápida expansão do Ensino Superior a partir do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso provoca uma enxurrada de críticas. Há realmente muitas distorções, destacando-se a desenvoltura com que grupos mercantis poderosos avançaram sobre o setor, espalhando pelo país “faculdades” que oferecem péssimas condições aos estudantes e aos docentes. De roldão, as críticas atingiram instituições sérias, tradicionais, boa parte das quais de feição comunitária, jogadas no turbilhão da “competição predatória” que domina, atualmente, o setor do Ensino Superior Privado.</p>
<p><span id="more-156"></span></p>
<p>A situação é agravada pela continuidade da notória desvalorização da carreira do Magistério e da rede pública de ensino básico. Com isso, não existem estímulos capazes de atrair os jovens, especialmente os mais bem preparados, para o trabalho docente. Dessa maneira, a procura pelos cursos de licenciatura cai ano a ano, numa velocidade espantosa. Como resultado, as pequenas Instituições de Ensino Superior (IES) interioranas, que lutaram bravamente por décadas para oferecer qualidade acadêmica, estão estranguladas, na beira da morte. E o atual Governo Federal parece ter optado, definitivamente, pela formação de docentes por meio do Ensino à Distância (EAD). Sem dúvida é mais barato, e pode ser mais abrangente; todavia, me parece equívoco gigantesco. Dadas as condições do Ensino Médio, formar licenciados pelo EAD é abandonar a busca de padrões de alta qualidade na formação dos futuros docentes. O curioso é que não se vê, alhures, a adoção dessa opção pelo EAD para formar professores. Não se vê isso na Finlândia, na Coréia – países que lideram os rankings de avaliação internacional do Ensino Básico – e nem mesmo nos Estados Unidos, que conservam a liderança mundial na ciência, tecnologia e inovação. Parece que, no Brasil, não se quer ver a melhoria do Ensino Superior Privado e nem se pensa, seriamente, sobre o importante papel que ele pode desempenhar na formação de pessoas qualificadas para atender as demandas de um país de dimensões continentais que precisa modernizar-se, e obter, rapidamente, ganhos elevados de produtividade nos mais diversos setores da economia.</p>
<p>Eu sempre trabalhei em pequenas fundações comunitárias de Ensino Superior, desde os anos 90. Nunca vivi conjuntura tão difícil, desesperadora mesmo, nas instituições em que trabalho. É uma pena, porque ambas – a Faculdade de Filosofia e Letras de Diamantina (FAFIDIA) e as Faculdades Pedro Leopoldo (FPL) –, ao longo dos seus 40 anos de existência, sempre primaram pela busca da qualidade do ensino. O dinheiro nunca sobrou. Mas a estrutura relativamente enxuta e bem flexível permitiu fazer pequenos milagres. Os docentes, contando-se, é claro, as exceções de praxe, procuraram bravamente a pós-graduação e se desdobraram para responder as exigências acadêmicas postas, de um lado, por um alunado mais exigente e, de outro lado, por normas oficiais crescentemente detalhadas, caras e estranhamente presas ao modelo das Universidades Federais.</p>
<p>Nesse ambiente, os professores de História, mas não só eles, tiveram que seguir à risca – quem sabe até com certo exagero – a recomendação de Fernand Braudel, que dizia que o historiador não deveria se furtar a falar de nada. Nas pequenas IES, os professores de História têm que ser ágeis. A especialização não pode impedir a construção cotidiana de uma visão, bem informada e sofisticada, do mundo lá fora. Pela simples razão de que os docentes do Curso de História são chamados a participar, no calor da hora, de debates sobre os acontecimentos que produzem manchetes espetaculares nos jornais impressos e televisivos. O que os telespectadores da TV fechada assistem, semanalmente, em programas como “Globo News Painel” ou “Sem Fronteiras” (também da Globo News), repletos de convidados especialistas nisso e naquilo, ocorre com freqüência nas pequenas IES. Sem que haja muito tempo para organizar. E dinheiro, então, nem se fala&#8230;</p>
<p>Eu me lembro que, no dia 11 de setembro de 2001, pela manhã estava em Diamantina quando vi, com colegas professores da FAFIDIA, as imagens na TV do ataque às Torres Gêmeas, em Nova Iorque. Naquele momento decidimos que o assunto deveria ser debatido na Faculdade. Chegada a noite, reunimos no Auditório da Faculdade os estudantes do Curso de História e fizemos uma mesa-redonda sobre o terrorismo. Algo realizado assim de chofre, mas que teve boa qualidade. Não ficou devendo nada aos programas que, dias depois, as TVs fechadas levaram ao ar sobre o assunto. Em Pedro Leopoldo, para citar outro exemplo, o Curso de História organizou uma mesa-redonda sobre a violência urbana, poucos dias após um de nossos estudantes ter sido assassinado numa festa ocorrida em praça pública, ao ser confundido com um traficante jurado de morte por grupo rival. No ano de 2006, a nacionalização do gás boliviano, realizada com a sutileza própria de Evo Morales, exigiu a organização, do dia para a noite, de mesa-redonda na FPL envolvendo docentes do Curso de História. Nesse semestre, a eleição de Fernando Lugo para a Presidência do Paraguai gerou debate na disciplina de Direito Internacional do Curso de Direito de Pedro Leopoldo, para o qual a intervenção de professores do Curso de História foi solicitada (ver o texto “<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2008/07/relacoes-brasil-paraguai.pdf">Relações Brasil-Paraguai&#8230;</a>” que preparei para minha participação nesse debate sobre política externa e direito internacional). Eu poderia dar muitos outros exemplos. Eles confirmariam a regra: nas pequenas IES, o debate existe e requer, dos docentes, a habilidade de participar seja o assunto debatido sua especialidade ou não.</p>
<p>Somos, portanto, desafiados numerosas vezes. Desafios que nos fazem fugir à especialização obstinada e estreita, que nos obriga a manter os olhos sobre o mundo à nossa volta, olhos críticos e curiosos. É claro que há o perigo da “cultura de almanaque”, como meu pai chamava a disposição daqueles que tentam agradar dizendo meia-dúzia de obviedades sobre qualquer assunto. A tentação do ensaísmo vazio e retórico dos antigos bacharéis ronda os docentes das instituições interioranas. Contudo, não há como fugir dessa exigência de, digamos assim, conservar certa “agilidade intelectual”.</p>
<p>Nessas horas, nós, os professores de História das pequenas IES interioranas, temos que ter em mente a lição de Montaigne: “Ninguém está isento de dizer tolices. Ruim é dize-las como se fossem interessantes”.</p>
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