As utopias libertárias dos jovens rebeldes dos anos 1960
O colunista da “Folha de São Paulo”, Ruy Castro, escreveu um texto bem humorado sobre fenômeno que tem chamado a atenção de demógrafos e sociólogos mundo afora. Trata-se da permanência de filhos e filhos nas casas dos pais, por tempo bem mais longo do que no passado. Há até quem diga que o antigo ditado popular – quem casa, quer casa – perdeu validade.
No texto, intitulado “Morando com mamãe”, Ruy Castro mostra certa perplexidade com o fenômeno e indaga se a juventude teria abdicado da ousadia de aventurar-se, de experimentar novos padrões de comportamento, de ariscar-se para viver intensamente. Nas palavras do colunista: “Custei a perceber que era uma tendência: a quantidade de rapazes de 30 anos ou mais, hoje em dia, ainda vivendo com os pais e sendo sustentados por eles – abdicando da liberdade pelos confortos e conveniências da cama, comida e roupa lavada. Foi para isso que os jovens dos anos 60 fizeram duas ou três revoluções?” Não quero discutir as razões do fenômeno que Ruy Castro observa com espanto, mesmo porque há gente muito mais competente para fazer isso. Mas aproveito a oportunidade para apresentar ao leitor um pequeno texto que redigi recentemente, justamente sobre as utopias libertárias produzidas pelos jovens rebeldes da década de 1960.
O trabalho será publicado pela editora paulista Alameda, ainda esse ano, e integra uma coletânea de ensaios que abordam propostas utópicas surgidas na história ocidental, desde a Antiguidade. O livro, organizado pelos professores Marcos Antônio Lopes e Renato Moscateli, se chamará “História de países imaginários: variedades utópicas”. Penso que é desejável e ilustrativo rever os projetos – mesmo aqueles que foram taxados de utópicos – que, no decorrer da história, ficaram pela estrada, inteiramente abandonados ou abalroados numa curva fechada. No mínimo, os sonhos coletivos ensinam algo sobre os valores e as esperanças das sociedades, além de estimular a reflexão sobre a realidade na qual vivemos.
Então, leitor, sem mais delongas, coloco à sua disposição o trabalho: Utopias na Era de Aquário.
Por Marcos Lobato Martins, 20 de fevereiro de 2010. Comentários

