Homens do Jequitinhonha que construíram o Mucuri

Miguel Francisco do Amaral (esq.) e Otávio Evangelista de Sousa (vaqueiro)
Miguel Francisco do Amaral (esq.) e Otávio Evangelista de Sousa (vaqueiro)

Miguel Francisco do Amaral, dono de pequeno bar no povoado de Mayrink, deve ter mais de setenta anos de idade. Aposentado, ele passa os dias atendendo poucos fregueses e observando a rua principal do lugar, onde antes ficavam assentados os trilhos da Estrada de Ferro Bahia-Minas. O Seu Miguel viajou pela ferrovia algumas vezes, pouco antes dela ser desativada, em 1966.

Miguel Francisco do Amaral nasceu na cidade de Jequitinhonha, no seio de família de trabalhadores rurais. Aos dezoito anos, logo após a Segunda Guerra Mundial, ele resolveu migrar para a “mata”. Viajou sozinho pela antiga estrada de São Miguel a Urucu, caminho aberto para uso de tropas de muares no início do século passado. Seu Miguel dirigiu-se para Serra dos Aimorés, onde começou a trabalhar em fazendas que exploravam madeira e criavam gado. Foi motorista de caminhão, dos caminhões que levavam a madeira de Serra dos Aimorés para as serrarias instaladas em Nanuque.

Anos depois, Miguel Amaral mudou-se para Carlos Chagas, empregando-se na Prefeitura da cidade. Foi eleito vereador, por três mandados consecutivos, pelo povoado de Mayrink. Há mais de trinta anos ele reside em Mayrink, lugar que é, hoje, pálida sombra do que fora na virada dos anos 1950 para 1960. O movimento de então decorria da Estrada de Ferro e das serrarias. Mayrink sequer conseguiu tornar-se distrito de Carlos Chagas, tal seu esvaziamento econômico e populacional. A grande proximidade da cidade de Nanuque também não ajuda o crescimento do lugar.

Miguel Francisco do Amaral sabe disso, e leva a vida sem pressa e maiores expectativas. Ele e seu pequeno negócio são dois reféns da dinâmica específica das fazendas de nelore que dominam a porção oeste de Nanuque e toda a área do município de Carlos Chagas. Poucos empregos, baixos salários, rotina espessa como a baba bovina, monotonia de capim sobre chapadas cumpridas.

Por Marcos Lobato Martins, 11 de setembro de 2009.  1 Comentário

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  1. CLEITON PINTO escreveu,

    em junho 5th, 2011 às 17:07

    Seu Miguel foi até hoje, o melhor verador que mayrinque já teve. Depois d’le as rua de Mayrinque estão como esquecidas, so se vê as rua sujas…

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