Visões do Vale do Jequitinhonha na UFMG

Para as pessoas que se interessam pelo Vale do Jequitinhonha, haverá um acontecimento importantíssimo nos próximos dias. Trata-se do seminário “Visões do Vale 4”, promovido pela UFMG, marcado para os dias 7 e 8 de maio. Certamente estarão reunidos muitos pesquisadores que investigam aspectos diversos da formação sócio-espacial do Vale do Jequitinhonha, bem como gestores e policy makers com responsabilidades sobre a região, além de artistas e agentes culturais que animam a rica cultura do Vale.

O seminário é oportunidade para se saber o que a academia tem feito em relação ao Vale, informações que os pesquisadores, invariavelmente, sentem necessidade contínua de adquirir, numa época em que o trabalho em rede é a regra. De maneira que, também atendendo solicitação da própria organização do evento, aproveito para convidar os leitores do Blog “Minas de História” para comparecer ao seminário. Colocarei no blog a programação completa, assim que ela estiver disponível.
Nesse seminário, apresentaremos – eu e os colegas Marcos Antônio Nunes (IGA) e Tânia Regina Riul (UFVJM) – duas comunicações. É por isso, em razão dos compromissos acadêmicos inadiáveis, que ocorrem períodos mais longos nos quais textos novos para o blog não surgem. Os leitores, creio eu, saberão me desculpar.

Os resumos das comunicações que mencionei são os seguintes:

A PRODUÇÃO DOMÉSTICA DE ALIMENTOS NA REGIÃO DE DIAMANTINA: UM OLHAR NA LONGA DURAÇÃO

Marcos Lobato Martins
Faculdades Pedro Leopoldo (FPL-MG)
lobatohistoria@hotmail.com

Tânia Regina Riul
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)
taniriul@yahoo.com.br

PALAVRAS-CHAVE: Diamantina; Chácaras e quintais; Famílias; Produção de alimentos

RESUMO: O trabalho analisa a produção doméstica de alimentos na cidade de Diamantina e núcleos urbanos vizinhos, no decurso dos séculos XIX, XX e até os dias de hoje. A ênfase recai sobre a trajetória das atividades de produção e beneficiamento de alimentos, realizadas nos quintais e chácaras urbanos e suburbanos. Discutem-se as características da produção tradicional de alimentos nas unidades familiares, os saberes e práticas culturais correlatos, as formas de consumo e troca/comercialização e a importância dessa atividade para o abastecimento e a sociabilidade locais, bem como as razões que levaram, ao longo da segunda metade do século passado, ao rápido declínio da produção doméstica de alimentos tanto em Diamantina quanto nos núcleos urbanos no Alto Jequitinhonha. Declínio cuja aceleração tornou-se mais evidente nos anos 2000. As fontes históricas empregadas são narrativas de viajantes estrangeiros e de memorialistas e documentação cartorial, notadamente inventários, existente nos arquivos de Diamantina. O trabalho também utiliza observações de campo e dados oriundos de um pequeno survey sobre a produção e os hábitos alimentares, aplicado em localidades do Alto Jequitinhonha, no decorrer dos anos 2004-2005. O trabalho é produto de projeto de pesquisa financiado pelo CNPq.

“O POVO SAÍA QUANDO O RECURSO ERA POUCO”: MIGRAÇÕES RURAIS DO MÉDIO JEQUITINHONHA PARA O VALE DO PAMPÃ NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX

Marcos Antônio Nunes
Instituto de Geociências Aplicadas (IGA-MG)
geoman@terra.com.br
Marcos Lobato Martins
Faculdades Pedro Leopoldo (FPL-MG)
lobatohistoria@hotmail.com

PALAVRAS-CHAVE: Migrações rurais, povoamento, Vale do Jequitinhonha, Vale do Pampã

RESUMO: Esta comunicação analisa o movimento migratório de fazendeiros e camponeses originários do Médio Jequitinhonha em direção às terras do Vale do Pampã, ocorrido na primeira metade do século XX. As causas e as rotas de migração são descritas, bem como as características das longas viagens e as estratégias empregadas pelos grupos migrantes durante o deslocamento. No que se refere ao Vale do Pampã, ponto de chegada dessas migrações, a pesquisa enfatiza as formas de ocupação da terra, a estrutura fundiária, as atividades econômicas implantadas e o surgimento de comércio burriqueiro que manteve, por décadas, contato estreito entre os moradores das duas regiões do nordeste mineiro. Tenta-se mostrar que, na área de “fronteira aberta” do Pampã, as migrações reproduziram quase perfeitamente os padrões socioeconômicos existentes no Médio Jequitinhonha, baseados na dialética fazenda versus posse camponesa, a tal ponto que populações da porção norte da bacia hidrográfica do Mucuri consideram pertencer, identitária e culturalmente, ao Vale do Jequitinhonha. As fontes empregadas são diversas, incluindo documentos cartoriais guardados nos arquivos de Águas Formosas, antigo distrito de São José de Pampam (município de Teófilo Otoni), que abrangia praticamente todo o território banhado pelo rio Pampã e seus afluentes, depoimentos orais e narrativas de viajantes e memorialistas. A comunicação é produto gerado no âmbito do “Projeto Mucuri”, executado pelo IGA com financiamento da FAPEMIG.

Por Marcos Lobato Martins, 26 de abril de 2009.  2 Comentários

2 respostas para ' Visões do Vale do Jequitinhonha na UFMG '

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  1. Cristiane escreveu,

    em maio 5th, 2009 às 09:33

    Olhei na programação e não vi o dia que você se apresentará. Será na quinta ou sexta? De qualquer forma, me inscrevi.

    Inté!

  2. Hugo Luiz deMenezes Montenegro escreveu,

    em junho 27th, 2009 às 17:53

    Olá! Sou geográfo, resido em São Paulo – Capital, e sempre tive bastante interesse nos estudos sobre o Vale do Jequitinhonha – MG. Apesar de já ter passado o evento, parabenizo a equipe responsável pela organização do seminário, e espero numa próxima oportunidade poder participar desse importante evento.
    Hugo Montenegro

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