Água fina e água grande: saber ambiental tradicional.
O Projeto Manuelzão (Saúde, Ambiente e Cidadania na Bacia do Rio das Velhas) é bem conhecido dos mineiros. Há doze anos, o Projeto, capitaneado pelo Departamento de Medicina Preventiva e Social da UFMG, realiza intervenções diversas na área drenada pelo Rio das Velhas e seus afluentes. Não há um só conselho instituído para gerir recursos hídricos e ambientais na região central de Minas Gerais que não conte com a participação, ativa e qualificada, dos integrantes do Projeto Manuelzão. As expedições do Manuelzão pelos rios da bacia e as edições do FestiVelhas fizeram as populações olharem renovadamente para os problemas ambientais da região, mobilizaram professores e estudantes em dezenas de municípios ao longo do curso do rio e chamaram a atenção da grande imprensa.
O Projeto Manuelzão tanto fez que conseguiu transformar a Meta 2010 – nadar, pescar e navegar – em política governamental. Pois bem, no plano interno, para estimular a reflexão da equipe do Projeto sobre a temática ambiental, bem como sobre as ações e as práticas desenvolvidas na Bacia do Rio das Velhas, realiza-se, entre outras iniciativas, um encontro chamado “Café Manuelzão”. A equipe do Projeto recebe, na Faculdade de Medicina da UFMG, periodicamente, convidados para debater assuntos variados relacionados aos saberes e às políticas ambientais.
No último dia 7 de novembro, atendi, honrado, convite para exposição no Café Manuelzão. O tema foi: “Água fina, água grande: modos de ver do saber ambiental tradicional”. O convite partiu de texto que eu havia redigido para o Seminário Técnico de Lagoas Cársticas, ocorrido em Matozinhos, em 25 de agosto de 2007, e publicado no Cadernos Manuelzão (ano 3, n. 5, junho de 2008, p. 13-19). Este texto está disponível no blog, num de seus primeiros posts. Para o Café Manuelzão, preparei outro texto, com o objetivo de explorar um pouco mais as representações ancestrais que compõem o imaginário de nossa gente sobre as águas (ver texto anexo “Escassas reflexoes sobre as águas”).
As idéias principais deste texto podem ser resumidas nos seguintes termos. Primeiro, não existe água, existem águas, com qualidades de afeto diferentes. É necessário saber distingui-las para saber lidar com elas. Segundo, as imagens tradicionais e populares sobre as águas são elementos ordenadores do mundo, de geração a geração. Constituem princípios que possibilitaram a populações diversas realizar o gesto social de submissão da natureza. Por isso mesmo, essas imagens têm força material, na medida em que influem sobre os processos regionais de desenvolvimento e a implantação de políticas públicas para o meio ambiente e os recursos hídricos. Terceiro, precisamos mapear as representações populares e tradicionais sobre as águas, compreender a gramática costumeira das relações entre as gentes e as águas, dialogar com essas representações, aprender com elas, transformá-las por dentro num processo paciente e respeitoso de busca de novos consensos. E, então, gerar democraticamente políticas públicas que, tomando por base o fundo cultural das comunidades, promovam o desenvolvimento sócio-espacial.
Por Marcos Lobato Martins, 8 de novembro de 2008. 1 Comentário


em abril 27th, 2010 às 17:52
Amigo,
Venho pedir solidariedade para a nossa luta de defender a Mata do Isidoro em Belo Horizonte. A prefeitura esta realizando um projeto urbanístico na maior floresta urbana de Belo Horizonte, acabando com 6 milhões metros de mata.
Para saber mais sobre a questão acesse
http://www.saveoisidoro.wordpress.com