A jovem titular do Cartório de Notas de Águas Formosas.

O trabalho de pesquisa histórica exige esforço e tenacidade. Não se trata de algo fácil de realizar, tanto que há quem o compare à atividade do garimpeiro. Diante de suas fontes, muitas vezes volumosas, o pesquisador tem que manter os olhos abertos, lendo centenas de páginas, uma após outra. Tem que cansar o corpo, sentado horas a fio, abrindo e fechando caixas de onde saem documentos antigos, repletos de letrinhas miúdas e apagadas, escritas em formas que não são usuais para nossa época. O pesquisador faz esforço enorme para encontrar, quando tem sorte, alguma coisa que lhe abre caminho para elaborar interpretações do passado. Na rotina estafante da pesquisa documental, tudo que se quer é contar com a boa recepção daqueles que respondem pelos acervos e arquivos. Como se dizia na minha terra, é uma mão na roda quando pessoas generosas – e que respeitam a atividade do pesquisador – nos recebem nos arquivos.

Advogada Adiléia dos Santos, de Águas Formosas.

Essa sorte eu tive na cidade de Águas Formosas, recentemente. Lá, no Cartório do 1o Ofício de Notas da Comarca, encontrei a jovem advogada Adiléia Alves dos Santos, que tornou muito mais fácil meu trabalho num dia que atingiu a temperatura de 40o C. Apesar das modestas instalações do Cartório, Adiléia, formada pela Fenord de Teófilo Otoni, me recebeu bem, separou com presteza e interesse os Livros de Registros mais antigos e acomodou-me num canto sossegado. Ali passei horas suando bicas, debruçado sobre documentos cartoriais diversos.

Deparei com dezenas de registros de compra/venda de fazendas “em terrenos do Estado”, que comprovam o modo de ocupação da região: avanço sobre matas que cobriam imensas terras devolutas, ao arrepio da Lei de Terras de 1850. Diante de meu espanto com a facilidade do registro cartorial dessas transações, Adiléia me contou que, assim que se tornou titular do Cartório por força de concurso público, deparou-se com numerosos casos de pessoas que procuravam registrar terrenos urbanos em Águas Formosas que eram, na verdade, lotes pertencentes ao Município. A prática anterior consistia em fazer os registros sem qualquer delonga ou exigência. Adiléia, contudo, sabia que se tratava de irregularidade. Então, oficiou o Juiz da Comarca, relatando os casos e solicitando instruções para o procedimento do Cartório. Após algum tempo, chegou-se à conclusão de que não se poderia prosseguir com esses registros. As pessoas teriam que regularizar a situação dos terrenos, para o que a Prefeitura deveria realizar licitações para venda de seus próprios. Obviamente, Adiléia viu muita gente virar a cara para ela, de antigos donos de cartórios locais a proprietários de imóveis.

É deste tipo de pessoa, que cumpre diligentemente seu dever, e, acrescento, recebe bem os pesquisadores, que nós precisamos servindo ao povo mineiro e brasileiro, nos Cartórios espalhados pelo imenso território nacional.

Por Marcos Lobato Martins, 4 de novembro de 2008.  11 Comentários

11 respostas para ' A jovem titular do Cartório de Notas de Águas Formosas. '

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  1. Adiléia escreveu,

    em novembro 7th, 2008 às 10:17

    oi Marcos,
    Estou escrevendo para agradecer pelo trabalho ora realizado e de grande valia para nosso município. Precisamos de profissionais como você. Continue sua caminhada realizando esse trabalho e fortalecendo nossa história. Abraços, Adiléia – Cartório 1° Ofício de Notas Águas Formoasas.

  2. Alessandra Alves escreveu,

    em novembro 7th, 2008 às 13:03

    Parabéns, colega!
    Sempre acreditei na honestidade das pessoas,
    sempre acreditei no seu excelente caráter desde quando te conheci no primeiro ano de faculdade, em 2001. Uma colega super dedicada, orgulho pra nossa turma, como diziam os professores. Afinal, sair de casa e estudar em outra cidade não é fácil e você jamais fraquejou mesmo nos momentos de extrema dificuldade. Parabéns por você ter alcançado seus objetivos e, acredite, todos nós, alunos da Fenord, formandos 2005, nos orgulhamos muito de você! Abraços da colega, Alessandra.

  3. Marcella Sena escreveu,

    em novembro 7th, 2008 às 16:19

    Marcos,

    Deixo aqui a minha alegria pelos elogios dispensados à Adiléia, pois vc nada disse além da verdade! Tive o prazer de conhecê-la na faculdade, onde passamos cinco longos anos e fizemos uma verdadeira amizade! A “Di” era exemplo para a turma, como toda a sua dedicação e história de vida e, quando veio a notícia de que ela assumiria o cartório de notas em Ág. Formosas,ficamos maravilhados com a notícia! A vc Di,que Deus continue guiando seus passos e que o sucesso continue a acompanhando sempre!! Saudades! Marcella.

  4. Carla escreveu,

    em novembro 10th, 2008 às 13:20

    Creio que todos que aqu visitam sentem orgulho da Adiléia, pois ela é uma pessoa muito querida por todos. Os elogios mencionados na reportagem são verdadeiros e merecidos. Parabéns pelas conquistas!! Saudades!

  5. Andréia Nogueira da Cruz escreveu,

    em novembro 10th, 2008 às 13:40

    Não poderia ser diferente…
    Quem conhece Adiléia de perto sabe que trata-se de uma pessoa competente, sincera, determinada, madura, inteligente, mas acima de tudo, um exemplo de força e guarra.
    Di, saiba que te adoro e torço muito por você. Felicidades mil para você…
    Saudades. Amdréia Nogueira

  6. Cristiane escreveu,

    em novembro 28th, 2008 às 09:13

    Em cidades pequenas, são nos cartórios e nos arquivos desarrumados e empoeirados das prefeituras que nós, historiadores, encontramos campo de pesquisa. Já entrei em vários, nos trabalhos de Inventários para o ICMS Cultural e eu sempre me apaixono.

    Este trabalho de “garimpo” e da montagem de um mosaico com peças dispersas em vários lugares me fascina. Adoro estes arquivos pequenos e empoeirados. São neles que se escreve a verdadeira história “miúda” do nosso país e do nosso povo.

    A moralidade e a coragem desta moça de fazer valer a lei e os princípios numa cidade de interior (e nós que somos de cidade pequena sabemos o que isto significa), me deixou com esperança de que ações individuais talvez façam a diferença num país onde a democracia ainda é apenas uma expectativa distante no horizonte.

    Abraços,

  7. vanderleia soares santos escreveu,

    em dezembro 6th, 2008 às 23:32

    nasci nesta cidade e acho que deveria haver mais noticias de aguas formosas amo minha terra e sinto muita saudade minha mae mora ai na rua a bairro da gamileira seu nome e carmelita pereira dos santos beijos para todos achei otimo o que a jovem titular escreveu temais e que vir atona os emcobertos chega de safadesa

  8. KENNEDY PATENTE escreveu,

    em novembro 25th, 2009 às 15:39

    Também concordo e não poderia ser diferente…
    Quando tive o especial prazer de trabalhar com Adileia e conhecê-la, naquela ocasião ,ela tbem professora de Filosofia , Sociologia e outras logias mais na Escola Estadual Raul F. Souto, pude perceber que se tratava de uma pessoa competente,e o convivio mostrou-me mais ainda que ela é além da competencia , é amiga , honesta, sincera ,determinada,inteligente,humilde , todas as boas qualidades , é realmente um exemplo.No seu Cartorio tem mostrado isto.
    Adiléia ,agradeço a Deus por ter você como amiga. Eu e Ju te admiramos muito, continue assim.Parabéns e Felicidades.
    Kennedy e Jú.

  9. KENNEDY PATENTE escreveu,

    em novembro 25th, 2009 às 15:42

    Também concordo e não poderia ser diferente…
    Quando tive o especial prazer de trabalhar com Adileia e conhecê-la, naquela ocasião ,ela tbem professora de Filosofia , Sociologia e outras logias mais na Escola Estadual Raul F. Souto, pude perceber que se tratava de uma pessoa competente,e o convivio mostrou-me mais ainda que ela é além da competencia , é amiga , honesta, sincera ,determinada,inteligente,humilde , todas as boas qualidades , é realmente um exemplo.No seu Cartorio tem mostrado isto.
    Adiléia ,agradeço a Deus por ter você como amiga. Eu e Ju te admiramos muito, continue assim.Parabéns e Felicidades.
    Kennedy e Jú.

  10. geisiane escreveu,

    em fevereiro 17th, 2011 às 12:46

    pressiso falar com voces

  11. Flávio Salomão escreveu,

    em maio 19th, 2011 às 16:55

    Tive o prazer de lecionar para a Adiléia no Curso de Direito da Fenord. Aluna exemplar, vi que ela aprendeu muito bem sobre Direito de Propriedade e sobre Bens Públicos. Por mérito, assumiu o cartório em Águas Formosas. Fico feliz de ver sua atuação sendo elogiada. Também a parabenizo!

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