Conhecer melhor os empresários mineiros
Pouco após ter chegado a Diamantina, entrei em contato com o “Seminário sobre a Economia Mineira”, realização já tradicional do CEDEPLAR/UFMG que reúne pesquisadores brasileiros para discutir história econômica, economia, políticas econômicas e sociais e cultura a cada dois anos. Minha primeira participação foi em 1986, como estudante. Em 1992, fui debatedor de trabalho apresentado por Ida Lewkowicz, intitulado “Vida em Família: Caminhos da Igualdade em Minas Gerais”. Nessa ocasião, conheci o saudoso professor Antônio Luiz Paixão, do Departamento de Sociologia da UFMG,com o qual passei a ter aulas no Mestrado em Sociologia da UFMG, dois anos depois. Em 2000, no IX Seminário, eu fiz minha estréia como expositor, com o paper “A presença da fábrica no ‘grande empório do norte’: surto industrial em Diamantina entre 1870 e 1930”.
Desde então venho notando algum crescimento no número de trabalhos que abordam a história empresarial mineira. Gradativamente, avançam as pesquisas sobre nossos empresários da segunda metade do século XIX e do início do século XX, especialmente dos que atuaram nas áreas cafeeiras da Zona da Mata. A industria têxtil também acumula número razoável de trabalhos, porém o mesmo não se dá com a siderurgia e nem mesmo com a moderna mineração. Temos muito a fazer no campo da história empresarial mineira, a julgar pelo termômetro de alto nível que é o Seminário de Diamantina.
É verdade que a História Empresarial no Brasil teve florescimento tardio, a partir dos anos 1970. Fato que pode ser explicado por três razões principais: a) a visão do estado como ator preponderante na industrialização; b) a imagem difundida desde a esquerda de uma burguesia nacional frágil e passiva e; c) a supervalorização dos temas da macroeconomia diante da microeconomia, compreensível num país que enfrentou tantas crises inflacionárias e de balanço de pagamentos desde fins dos anos 1970 até início dos anos 2000. Na História Empresarial praticada no Brasil, as linhas de pesquisa principais lidam com estudos de casos, inserção das empresas no contexto sócio-econômico e a trajetória do empresariado vista através dos órgãos de classe. É forçoso reconhecer que, nesse campo da história econômica, predominam as pesquisas sobre empresas industriais brasileiras – as grandes empresas e os grandes empresários. Em contrapartida, existe certa escassez de estudos sobre o comércio e os serviços, bem como sobre as empresas e os empresários que atuaram na “periferia da periferia”, isto é, fora do eixo Rio de Janeiro – São Paulo. Também são ínfimos os trabalhos que exploram caminhos como a história comparada de empresas e as culturas específicas dos setores empresariais. Em Minas Gerais, continuamos demasiadamente apegados ao “charme” da tecnoburocracia governamental e aos ambiciosos planos de desenvolvimento regional.
Devemos estimular, para os variegados cantos de Minas, as pesquisas que examinam com lupa poderosa os homens de negócios e os empresários pioneiros, suas idéias políticas e econômicas, práticas administrativas e redes de relações com atores do mundo privado e da esfera pública. É hora de botar “carne” no esqueleto das estruturas econômicas mineiras razoavelmente delineado pelas pesquisas baseadas em dados agregados. Modestamente, eis o que tenho tentado realizar no que se refere ao Nordeste Mineiro, mais especificamente a região do Alto Jequitinhonha, que ainda possui Diamantina como seu centro econômico.
Uma pequena mostra desse esforço está no texto anexo, que apresentei na última edição – a de número 13 – do Seminário sobre a Econômica Mineira. O trabalho é intitulado: “Os Matta Machado de Diamantina: negócios e política na virada do século XIX para o XX”.
Por Marcos Lobato Martins, 12 de outubro de 2008. 1 Comentário

em outubro 29th, 2008 às 22:12
eu tenho um trabalho para fazer,e me indicaram esse site
tem como me mandarem uma ajuda sobre a economia de minas!
agradeço desde já