Busca ativa de jovens talentos para a História
A edição de hoje da Folha de São Paulo (Caderno Cotidiano, p. 6) trouxe notícia sobre a parceria firmada entre a USP e a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo para implantação do Programa de Pré-Iniciação Científica. O referido programa atenderá 360 estudantes dos primeiros anos do ensino médio da rede pública, por meio da concessão de bolsas de iniciação científica nas áreas de ciências da natureza, ciências humanas, linguagens e códigos e matemática. As bolsas terão duração de um ano e os estudantes receberão R$ 150 por mês, dedicando oito horas semanais a pesquisas nos institutos da USP. Também serão selecionados 60 professores da rede pública para atuarem como supervisores no projeto.
Eu li a notícia com “arrancos triunfais de cachorro atropelado”, como diria Nelson Rodrigues. De um lado, fiquei exultante com a iniciativa de nossa mais famosa Universidade de enveredar pela busca ativa de talentos jovens e por dar um passo concreto na direção de gerar oportunidades qualificadas para os adolescentes das escolas públicas vivenciarem procedimentos e metodologias de pesquisa científica, propiciando-lhes o contato com o ambiente acadêmico. Quanto mais cedo essas coisas acontecerem, melhor para todos nós e para o país. Por outro lado, bateu-me certa dose de frustração. Afinal, eu havia proposto, em outubro de 2006, no âmbito do Instituto Superior de Educação (ISE) das Faculdades Pedro Leopoldo (FPL), algo muito semelhante que ainda não saiu do papel.
Naquele já distante momento, submeti à apreciação dos colegas do Colegiado do Curso de História e à Direção do ISE uma proposta intitulada Programa Aprender História com Pesquisa. A idéia era selecionar estudantes do ensino médio com talento para o campo dos estudos históricos, a partir de indicações dos professores que atuam nas escolas públicas de Pedro Leopoldo, os quais integrariam projetos de iniciação científica voltados para a história local e regional. Durante um ano, os estudantes selecionados receberiam bolsas com remuneração de R$ 150 e vale-transporte para os deslocamentos ao campus do ISE. Os bolsistas freqüentariam cursos e atividades específicas e poderiam fazer como ouvintes disciplinas das graduações oferecidas pelo ISE. Com a orientação de professores vinculados ao Programa, os estudantes desenvolveriam pequenas monografias, apresentadas em sessões públicas no final de cada ano. Semanalmente, a carga de atividades dos bolsistas somaria oito horas. As despesas com transporte e bolsas seriam bancadas por empresas da região, enquanto o ISE forneceria aos bolsistas acesso franco a suas instalações e recursos educacionais e os professores envolvidos na supervisão/orientação das atividades do programa(Leia na integra o Programa Aprender História).
Infelizmente, a proposta, apresentada ao Colegiado de História em novembro de 2006, não recebeu encaminhamento. Permanece engavetada.
Reconheço que a recepção da proposta foi prejudicada tanto pelo acúmulo de problemas nas FPL – financeiros, organizacionais, pedagógicos etc. – como pelos constrangimentos que se abatem sobre os cursos de licenciatura nas faculdades privadas, que caminham rapidamente para a inviabilização. Os colegas encontravam-se assoberbados por dificuldades específicas e desestimulados pela conjuntura de crise das licenciaturas. Entretanto, é justamente nesses momentos de crise que temos que ousar.
Torcerei pelo bom êxito da parceria USP – Secretaria de Educação de São Paulo em torno do Programa Pré-Iniciação Científica. Torcerei para que outras unidades da Federação sigam o exemplo de São Paulo. E continuarei lutando para implantar nas FPL a proposta delineada no Programa Aprender História com Pesquisa.
Por Marcos Lobato Martins, 28 de fevereiro de 2008. 1 Comentário

em julho 1st, 2008 às 19:10
Se não me falha a memória, aqui em Minas a FAPEMIG tem esta bolsa para estudantes do ensino médio, chamada BIC Jr. Não sei como são as “regras”, mas sei que ela existe há pelo menos 3 anos. Talvez você consiga uma parceria com a FAPEMIG para desenvolver este projeto aí, apesar da Faculdade de Pedro Leopoldo ser particular.